Shvoong Home > Books > Biographies > O coração não engana Summary

.

Solve the Riddle and Win $500!

O coração não engana Book Review

Summary rating: 2 stars 8 Ratings
Author : João Massapina
Review by : massapina
Visits : 264  words: 900   Published: July 25, 2007
II - O INICIO REAL DA INFÂNCIA PRÉ-SEXUAL
Deitado na cama, lucido e de olhos bem abertos na escuridão daquele quarto.
Mais um quarto, de mais uma casa da minha vida, olho para a mulher deitada ao meu lado e penso em tudo quanto já vivi, em todas as mulheres com quem intimamente já convivi, e chego a ter "asco" de mim próprio, pela forma leviana como fiz sofrer algumas dessas mulheres.
Mulheres que tem passado pela minha vida, que se tem apaixonado por mim, que tem sofrido por minha causa, mulheres pelas quais eu tantas vezes não me tenho apaixonado, ou melhor dizendo, não tenho conseguido manter viva a chama da paixão, porque continuo em busca da tal felicidade utopica.
Quando será que vou parar essa busca? Quando morrer?
Não! Acho que vou parar antes, muito antes, pois sinto que estou a descobrir, dentro de mim mesmo, a razão de ser, de estar a ficar cansado, de tanto procurar e no intimo estar a ficar convicto de que essa mulher já passou pela minha vida, e ainda esta na minha vida, e ainda estou muito a tempo de fazer um exame de consciencia, e completar a minha vida com alguem que seja quase tudo aquilo de que eu tanto tenho procurado, porque a mulher perfeita não existe! Na vida nada existe totalmente perfeito!

Volto a fechar os olhos, e lá estou eu em Cinfães do Douro, sentado nas escadas, junto á loja do Camelo, e á Alfaiataria do Oliveira, brincando com o meu amigo Tó-Bé, e lá vem a sua irma Licas, que miuda gira e desenvolta, a minha primeira namorada.
Namorada! Será?
Eu um puto, com os meus 6, 7 anos, a brincar com uma garota, que um pouco mais velha, já tinha a esperteza feminina de levantar as saias, e me mostrar as calcinhas, pedindo para eu lhe tocar num certo sitio que ela sabia proibido a toques de outros que não ao de quem ela achava gostar de verdade.
É lá possivel isto, eu um puto com aquela idade, sabia lá o que era aquilo, e o que ela queria, e penso que ela própria também não sabia ainda nada sobre assuntos de sexo, só que achava que namorar era jogar ás escondidas na casa velha e abandonada que existia no quinta da casa dos pais, e roubar-me um beijo na face, ao mesmo tempo que pedia para ser apalpada, acho que por puro e simples instinto feminino. E depois, lá ia ela a correr dizer a todo o mundo que era a minha namorada.
E eu, por brincadeira e orgulho masculino, também dizia que sim, que ela era a minhna namorada!
Passados tantos anos, onde andará ela?
Será que ainda é tão bonita como a mim me parecia na inocência da minha juventude?
Foi ela, sem o saber, a responsável anos mais tarde pela minha primeira verdadeira experiencia sexual, com uma Espanhola, que me fazia lembrar a Licas. aquela mesma primeira namorada a que eu não tive oportunidade de declarar o meu amor de uma forma real e consequente.
E, quando, anos mais tarde, talvez cerca de uns 10 anos depois, eu tive oportunidade de pela primeira vez ter realmente uma mulher para mim, lembrei-me nesse momento da Licas, aquela miuda gira, que queria já naquela tenra idade ser apalpada por mim, e algo mais, a que eu com a minha inocencia, nunca poderia corresponder.
E naquela tarde, de primavera, ali na Rua que desce, junto do antigo Cinema Rex, em direcção ao Largo do Intendente Pina Manique, em Lisboa, num simples quarto de 2º andar, de uma pensão situada ao lado de uma casa de jogos electronicos. Quando o Intendente de Lisboa ainda era um local de jovens prostitutas esbeltas, que depois a pouco e pouco se transformou numa zona de perigosa frequência de prostitutas velhas, e toxicodependentes, trafico de droga e todo o genero de marginais. Foi ali que eu durante toda uma tarde encontrei pela primeira vez a concretização oficial dos meus sonhos sexuais, de uma forma algo estranha, para um principiante, pois eu sabia que aquela jovem maravilhosa e esbelta era uma prostituta, mas nunca poderia esperar que essa mesma mulher me pedisse para a acompanhar, apenas porquejá me vira várias vezes, na loja de jogos electronicos e matraquilhos.
Segundo ela disse; "tinha ficado vidrada em mim", e tinha um desejo tremendo de fazer amor comigo, sem receber nada em troca, e abdicando dos 30$00 (trinta escudos) que levava aos seus clientes, e saliente-se que uma prostituta, naquela epoca, cobrava em média 20$00 (vinte escudos), mais 5$00 (cinco escudos) para o quarto, e nem se falava ainda de preservativos nem de DTS's.

As prostitutas somente perguntavam ao potencial cliente se queria ir, e o que faziam, e qual o preço para cada "prato", ou pelo conjunto, dizendo sempre que faziam tudo ao natural, (sem preservativo) sendo que muitas praticavam os chamados "3 pratos" ou seja o sexo oral, sexo anal e sexo vaginal, com um preço mais caro. Outras apenas praticavam aquilo que apelidavam de "mamada" ou seja sexo oral, e obviamente o mais barato, e outras somente o sexo vaginal, com o truque de que praticavam invariavelmente o chamado "coito interrompido", pois quando presentiam a ejaculação masculina arranjavam forma de terminar logo por ali. Outras excitavam o cliente com uma roçadelas do sexo masculino pelos seus seios para aumentar a excitação masculina e, não demorar tanto tempo na pratica do trabalho, e outras ainda faziam gosto em praticar um pouco de sexo oral, tendo como objectivo o mesmo fim de não se demorarem muito com o cliente, pois tempo era dinheiro para elas, e quanto mais rapido estivessem na rua, mais rapidamente poderiam atender outro cliente.
Invariavelmente queriam receber o dinheiro do pagamento adiantado, e mostravam-se muito afectuosas até terem o dinheiro na mão, depois eram rapidas como o vento a terminar o trabalho.
Nunca pratiquei muito este tipo de "desporto" a que os jovens da minha geração apelidavam afectuosamente de "ir ás meninas", "ir ás putas" ou "ir afogar o ganço", entre outros termos, no entanto tinha muitos amigos que não perdoavam uma ida a Lisboa, sem uma visita especial. Exemplos existem de acontecimentos verdadeiramente ilariantes, desde roubos nos quartos, saidas com a roupa na mão, esperas no quarto com o trabalho já pago e a prostituta desaparecida, e a nossa brincadeira preferida para os espertalhoes, que consistia na insistencia de uma ida para o quarto com uma mulher?? que no fundo era um travesti e depois assistir á saida apressada sem o acto consumado, perante os aplausos do restante grupo á chegada, uma vez que eramos sabedores da marosca desde o inicio, e tantas outras situações.
Em termos de quantidade e qualidade Lisboa, era um mundo. Naquela epoca, zonas como o Intendente, Avenida da Liberdade, zona do Instituto Superior Tecnico, Praça da Figueira com as prostitutas velhas, tanto de dia como de noite, e Martim Moniz, e Hospital do Rego, durante o dia, Avenida Casal Ribeiro e zonas limitrofes e ainda Artilharia I, durante a noite, e somente durante o dia a zona superior do Parque Eduardo Setimo, pois á noite era local perigoso e de frequência somente masculina, eram locais de peregrinação obrigatoria para a malta da minha geração verem as beldades do negocio carnal.


More reviews about the O coração não engana
Please Rate this abstract : 1 2 3 4 5


Add your comment Total comments in this abstract : 1

Comments & Reviews about O coração não engana Book Review

Showing 1 out of 1   Add your comment
  1. uma história linda

    delcione

    Monday, July 30, 2007

    na realidade, esta é uma linda história me apaixonei por este homem!!!

Read Free Summaries - Write and Get Paid

Summarize Human Knowledge on Shvoong. Join us!

------