11- HÚMUS SAPIENS –
Livro de Rui Werneck. Frases recauchutadas ao gosto
do freguês.
Uma no cravo,
outra na margarida.
Um dia é da
caça, outro é da pesca.
Em cada
cabeça, um boné.
Vão-se os
anéis, ficam os piercings.
Quem tem boca,
vai ao dentista.
Ladrão que
rouba ladrão tem mais pra gastar.
Quem tem cem e
deve cem, empresta mais cem.
Quem semeia
ventos, é doido.
Quem não tem
cão, caça com espingarda.
Quem cala, não
diz nada.
Quem com ferro
fere, vai preso.
Quem cava um
buraco, faz um monte.
O barato sai
mais rápido.
O homem põe, a
mulher redispõe.
O diabo não é
tão fio como mulher feia.
Não há regra
sem excreção.
Nada como um
dia depois da noite.
Depois da
tempestade vem a enchente.
Cão que ladra
não é mudo.
Quem casa,
quer tudo.
12 - HÚMUS SAPIENS –
Livro de Rui Werneck. Frases recauchutadas ao
gosto do freguês.
Quem se deita
com criança, é pedófilo.
Tantas vezes o
jarro vai à fonte que um dia ela seca.
Roupa suja se
lava onde tiver água.
Quem espera,
sempre espera.
Quem foi rei,
não é mais.
Cachorro
mordido de cobra vai ao veterinário.
Quem sai aos
seus, é filho ou filha.
Quanto mais
alto o pinheiro, melhor a vista.
Não há galinha
gorda pra pouca fome.
Em boca
fechada não entre.
De boas
intenções, o exército está cheio.
Crie fama e
deitam você na lama.
Quem tudo
quer, rouba.
As paredes têm
pichação.
O segredo é a
alma do cofre.
Mais vale um
pássaro na mão do que dois cagando na nossa cabeça.
Quem um não
quer, dois obrigam.
Quem sai aos
seus, não regenera.
POEMAS TRADUZIDOS POR WERNECK – William Carlos Williams. Poemas só para os raros. Coisas finas. Secas e
saborosas. Frutas cristalizadas. Tente. Se não der, pule. Do edifício.
A Sort of Song
Let de
snake wait under
his weed
and the writing
be of words, slow and quick, sharp
to strike, quiet to wait,
sleepless
– through metaphor to reconcile
the people and the stones.
Compose, (No ideas
but in things) Invent!
Saxifrage is my flower that splits
the rocks.
Um tipo de canção
Deixe a serpente espreitar sob
sua roupa
e a escrita
ser de palavras, lentas e rápidas, afiadas
para golpear, quietas para esperar,
não dormidas.
– por metáfora reconciliar
o povo e as pedras.
Compor. (Sem idéias
mas com coisas) Invente!
Saxífraga é minha flor que racha
as rochas.
The Poem
It’s all in
the sound. A song.
Seldom a song. It should
be a song – made of
particulars, wasps,
a gentian – something
immediate, open
scissors, a lady’s
eyes – waking
centrifugal, centripetal.
O poema
Está tudo
no som. Uma canção.
Raramente uma canção. Deve ser
uma canção – feita de
meticulosidades, vespas,
uma genciana – algo
imediato, tesouras
abertas, olhos de
uma mulher –
acordando
centrifugal, centripetal.
The Thing
Each time
it rings
I think it is for
me but it is
not for me nor for
anyone it merely
rings and we
serve it bitterly
together, they and I
A coisa
Cada vez que soa
penso que é
para mim mas
não é para mim nem
para ninguém meramente
soa e nós
atendemos com azedume
juntos, eles e eu
Era isso, um pouco de coisas arejadas por aqui. Se gostou, gostou. Obrigado
pela atenção, Werneck. Para acessar outros poemas traduzidos, digite Rui
Werneck ou RuiWerneck no PROCURAR. Abraços.
POEMAS TRADUZIDOS POR WERNECK – Wallace Stevens. Um
norte-americano da pesada com um poema que tomou o lugar de uma montanha.
The poem that took the place of a mountain
There it
was, word for word,
The poem that took the place of a mountain.
He breathed its oxygen,
Even when the book lay turned in the dust of his table.
It reminded him how he had needed
A place to go to in his own direction,
How he had recomposed the pines,
Shifted the rocks and picked his way among clouds,
For the outlook that would be right,
Where he would be complete in an unexplained completion:
The exact rock where his inexactness
Would discover, at last, the view toward which they had edged,
Where he could lie and, gazing down at the sea,
Recognize his unique an solitary home.
O poema que tomou o
lugar da montanha
Estava lá, palavra por palavra,
O poema que tomou o lugar da montanha.
O poeta respirou seu oxigênio,
Quando o livro ainda estava deitado no pó da sua mesa.
Isso o fez relembrar de como precisava
De um lugar para ir no seu próprio rumo,
Como ele tinha recomposto os pinheiros,
Trocado as pedras de lugar e pegado o caminho através das nuvens,
Para que a vista estivesse certa,
onde ele pretendia ser completo num inexplicável aspecto:
A exata rocha onde sua inexatidão
Queria descobrir, por fim, a vista que os dois queriam introduzir,
Onde ele pode deitar e, olhando o mar lá embaixo,
Reconhecer seu único e solitário lar.
Era isso, até mais. Boa sorte. Abraços, Werneck.