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O cidadão na Grécia Antiga Book Summary

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Author : Claude Mosse
Summary by : babixa
Visits : 1682  words: 900   Published: December 07, 2007
Há muitas duvidas sobre as origens da cidade grega e pensa-se que pelo segundo milénio a.C. tenham chegado á península balcânica pessoas que falavam uma língua que se tornaria o grego. A única certeza é que a partir do século XVII a.C. começou a haver o florescimento de uma civilização, a civilização misénica. O que se sabe desta civilização encontra-se nos poemas homéricos Ilíada e Odisseia que narram a guerra entre gregos e troianos, e os dez anos em que Ulisses, rei da Ítaca andou a vaguear pelos mares e em escavações arqueológicas onde se encontraram ruínas de um palácio fortificado, túmulos e tábuas que puderam ser decifradas. Quanto á organização palacial, devido á sua estrutura social complexa faz lembrar a organização de alguns estados do Antigo Oriente e contava com um sistema de escribas que teria organizada a contabilidade. Durante o século XIII a.C. , e de acordo com o que se sabe das escavações arqueológicas, Muitos dos palácios micénicos terão sido destruídos por sucessivas vagas invasoras e os arqueólogos designam por séculos obscuros o período entre a destruição dos misénicos e o renascimento da cidade grega. Quatro séculos depois, contou-se com um grande e rápido crescimento da população, há o retorno ao comércio e ao uso da escrita. No século VIII, os gregos expandem-se ao Mediterrâneo e as suas colónias instalam-se em locais ocupados na época do apogeu da civilização misénica. O que se descobriu em achados arqueológicos foram materiais de guerra e outros materiais que nos levam a pensar numa igualdade social entre os que trabalham a terra e os guerreiros, o que nada lembra a civilização misénica que tinha uma estrutura social muito complexa. Atenas é a cidade que fornece um bom exemplo da transição da organização social palaciana dos centros micénicos para as cidades gregas. Esta cidade sobreviveu parcialmente à destruição do século XII a.C., e teve a sua evolução sócio-politica que passou de um rei para o Concelho do Aerópago que era constituído por nove arcontes que estavam a frente dos destinos da cidade. A cidadania surge lentamente e nela surgem vários problemas e crises como é o caso da crise agrária. Ao princípio, só os que possuíam as melhores terras faziam parte da comunidade cívica e o endividamento do camponeses e a servidão por dívidas tornou-se cada vez mais comum. A estes factores juntou-se a pobreza do solo e a emigração aconteceu, mas, não serviu de muito pois ontinuou-se com as dividas e a mal repartição dos campos no continente. Pelo século VII haviam dois grupos diferentes: os hectémoroi e os pelatai, ou seja, rendeiros e camponeses pobres originando uma grande crise económica que só teve fim quando Sólon no século VI acabou com os hectémoroi e com a servidão por dividas. A partir daqui os homens atenienses mesmo não sendo ainda cidadãos já eram considerados homens livres e Sólon procedeu á sua divisão de acordo com os seus rendimentos: 1.     Pentacossiomedimnos 2.     Hippeis (cavaleiros) – correspondentes à antiga aristocracia 3.     Zeugitas – camponeses abastados 4.     Tetes – com rendimentos inferiores a duzentas medidas de grão. Em Atenas, Péricles promulgou uma lei que determinava como condição de acesso à cidadania ter nascido de pais cidadãos, homens e mulheres eram abrangidos pela pertença à comunidade cívica mas as mulheres não participavam das tomadas de decisões e o acesso aos locais onde isso decorria também era proibido. portanto, em Atenas, eram  cidadãos as crianças nascidas de um pai cidadão e de uma mãe filha de cidadão. Havia dois termos para designar cidadão: astos e polites, e, supoe-se, por isso que a distinção dos dois termos significava que astos servia para designar cidadão apenas enquanto pertencente à comunidade ateniense e polite servia para designar cidadão de pleno direito, participante na vida política. Na maior parte das cidades gregas, as condições para que um nascimentoser considerado legítimo e dar acesso à cidadania seriam as mesmas que em Atenas, no entanto, há referencias de que havia cidades em que bastava que o pai fosse cidadão, e outras até em que bastava a condição de cidadania da mãe para a futura aquisição de plenos direitos cívicos da criança.  Para melhor se definir o conceito de cidadania na Grécia Antiga, devemos começar por compreender como evoluíram historicamente as sociedades gregas até à constituição das cidades e das suas comunidades cívicas. Não existem muitos dados sobre a chegada dos povos mas situa-se esse facto no início do segundo milénio antes da nossa era. Nas antigas cidades gregas ser-se cidadão não significava apenas pertencer a uma entidade nacional, mas também participar numa vida comum que se manifestava a nível económico, politico, religioso e militar. Nos regimes oligárquicos haviam cidadãos que, devido à sua pobreza e ao exercício de profissões menos prestigiadas, eram excluídas da comunidade política, na democracia os casos de exclusão de cidadãos da comunidade política aconteciam quer por privação dos seus direitos, quer por desinteresse dos cidadãos pela causa pública. Cidadania é uma noção que se vai formando ao longo dos tempos e não se pode determinar o momento exacto em que assume carácter definitivo o que se deve não só à escassez de dados documentais, mas também ao facto de só no século V a.C., e apenas nos meios intelectuais de Atenas, se ter desenvolvido uma reflexão teórica à volta da noção complexa de politeia, que nem sempre adquire o mesmo sentido.

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