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Shvoong Home>Arts & Humanities>Theory And Criticism>O Nosso Maior Legado É a Imperfeição Summary

O Nosso Maior Legado É a Imperfeição

Article Summary   by:GABRIELNASCIMENTO     Original Author: Gabriel Nascimento
ª
 
Se você é uma dessas pessoas que se matam tentando encontrar o caminho da perfeição e acredita que existe um modelo pronto para todas as coisas, cuidado: esse modelo pode ser a maior abstração humana que existe. Tão maior do que o que você chama de abstração. Nós somos por natureza seres errantes que tentam encontrar uma saída para todas as coisas.
   O caminho de uma suposta luz não seria tão horrível. Mas nessa busca as pessoas passam de todos os limites com um perfeccionismo abusivo. Observe à sua volta. Todos querem as coisas como à sua imagem. Tudo tem que ser perfeito nos mínimos detalhes, e a beleza física é a coisa mais importante que existe. No entanto o ser humano na prática faz o contrário do que prega. É a imperfeição o seu maior legado.
   A imperfeição é bela. Talvez seja a coisa mais bela que o ser humano possa criar. Fora de todos os modelos feitos que só servem para formar preconceitos de cor, sexualidade, roupa e estilo aqui está o que o ser humano tem de mais sincero e belo: a imperfeição. Que o homem romântico do século XIX possa ter enxergado primeiro o valor de não ser perfeito. Ser perfeito (ou tentar) é ser purista, preconceituoso e tentar criar modelos de linguagem e estilo social. As classes dominantes precisam exaltar os conceitos de beleza e perfeição porque foi com isso que mais se vendeu desde o século XVIII. Num século de hibridizações culturais, de novas linguagens, sustentar essa busca desenfreada pela perfeição gera um paradoxo absurdo. O “homem perfeito” sempre abomina o africano (ou de cor diferente) porque ele se acha perfeito, e logo, superior. E onde o conhecimento humano aponta ser o local de origem da raça humana senão a África? O “homem perfeito” se ilude pensando que é descendente da Europa.  O ser humano perfeito não é gordo de mais, não é magro de mais, não é alto de mais, não é baixo de mais, não é negro, tem que falar bem, e ter uma moral implacável. Balela! A beleza do mundo está na diferença, e não na igualdade.  A difusão do conceito de perfeição e beleza pode ter começado com os gregos que instauraram a gramática normativa. Logo depois a noção de perfeição foi publicada pela igreja que não podia suportar saber que existiam seres diferentes. Ninguém podia pensar diferente. Copérnico era o próprio Diabo por propor que a Terra não era o centro do Universo. Quanta imperfeição naquele padre.
   Chegamos a um tempo que a imperfeição já chegou até a ser moda. Roupas machucadas, calças rasgadas. Mas o tradicionalismo e perfeccionismo das pessoas deixa todas elas cegas. O “erro” justifica o jogo. A “perfeição” justificativa o preconceito. Por isso as pessoas, com um estereótipo abominam “pessoas feias”, “carros feios” e vivem uma vida toda se achando gordas, mal feitas e buscando uma perfeição que, infelizmente, não vão encontrar. A perfeição é ficção, literatura psicológica. Pelo visto foi o capitalista quem melhor soube usar a literatura durante esses séculos.
Published: April 09, 2010   
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